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DIÁRIOS DE RESISTÊNCIA – Parte IV

Parte IV – Da Guerra Colonial ao 25 de Abril de 1974 (1961-1974)

Apresentamos aqui a última fase de acções de resistência até à queda do regime com a Revolução de Abril. São tempos extremamente agitados, que surgem na sequência de um acto eleitoral conturbado e fraudulento, causador de um alargado descontentamento social e do fim da ilusão que seria possível acabar com a ditadura pela via legislativa. 

Este período da história portuguesa é marcado pela intensificação da oposição ao Estado Novo e a Salazar. Aos 79 anos, Salazar sofre um acidente e é afastado do Governo. É substituído no cargo por Marcelo Caetano, antigo ministro das Colónias (1944-47) e fervoroso defensor do Estado Novo. Esta nomeação cria a expectativa de uma possível solução política para a questão ultramarina e para a repressão, mas não houve mudanças fundamentais. 

Em 1961, começa a Guerra Colonial, onde quase 10.000 jovens soldados portugueses perderam a vida e algumas dezenas de milhar ficaram mutilados, na sequência da recusa em negociar com os movimentos de libertação. Os mais de 450 anos de domínio português na Índia terminam a 18 de dezembro de 1961, quando as tropas indianas entram em Goa, Damão e Diu, quase sem resistência. Em 1964, começa a luta armada em Moçambique.

As mulheres entram em força no mercado de trabalho; centenas de milhares de portugueses emigram à procura de melhores condições de vida. Grande parte da juventude estudantil do país rebela-se e desenvolve acções de massas que engrossam a luta antifascista da classe operária e da intelectualidade progressista. A par com o movimento estudantil, surge pela primeira vez, uma oposição católica ao regime, com acções que passam por manifestos públicos e vigílias pelo fim da Guerra Colonial.

Paralelamente à oposição interna que vai ganhando terreno e alargando as suas esferas de acção, a oposição externa também se intensifica com a intransigência da ONU. Aumentam as condenações da política colonial portuguesa por parte da Assembleia-Geral, do Conselho de Segurança e da Comissão de Descolonização deste organismo. A 10 de junho de 1965, a Comissão passa a falar em “territórios sob dominação portuguesa” e reconhece a legitimidade das lutas de libertação nacional. 

Perante este enquadramento, percebemos que, ao contrário da fase anterior, em que os movimentos de oposição estavam maioritariamente agregados em duas forças unificadoras (MUD e PCP), agora as acções, apesar de mais dispersas e espontâneas, aumentam, intensificam-se e tornam-se mais combativas, chegando a atingir um certo mediatismo internacional. Desta forma, também a reacção do aparelho opressor se agrava, aumentando a violência policial e as prisões políticas, de tal maneira que as instalações prisionais atingem, pela primeira vez em ditadura, a sua capacidade máxima. Revisitemos a última fase de resistência, que nos trouxe a liberdade:

1961, 4 de Janeiro  REVOLTA DOS TRABALHADORES DOS CAMPOS DE ALGODÃO

A 4 de Janeiro de 1961, nos campos de algodão da Baixa do Cassange, província de Malanje, os camponeses ao serviço da Cotonang (Companhia Geral dos Algodões de Angola) recusam trabalhar e queimam as sementes fornecidas pela companhia.

Depois de uma longa história de injustiça associada a este sector, assente nos baixíssimos preços pagos, nos castigos corporais, no trabalho forçado, na completa desprotecção e abuso dos trabalhadores e, ainda, na cultura obrigatória, que os forçava a cultivar algodão em prejuízo das suas culturas de subsistência. Em Janeiro de 1961, o protesto ganha força e alastra pela região. No mês seguinte, as autoridades coloniais respondem com o envio de forças militares, execuções sumárias, vaga de prisões e bombardeamentos com napalm que arrasaram 17 aldeias. A violência traduz-se num número indeterminado de mortes, entre as largas centenas e as dez mil.

A 4 de Fevereiro, três grupos, com cerca de sessenta elementos cada um, armados com catanas e uma ou outra pistola, atacaram, quase em simultâneo, a 7ª. Esquadra da Polícia de Segurança Pública Móvel, a Cadeia de S. Paulo e a Casa de Reclusão, junto à Baía de Luanda. O objetivo era a libertação dos nacionalistas presos ao longo de 1959 e 1960 e a obtenção de armas de fogo e munições para a luta pela independência. O plano previa outros alvos civis e militares, como o aeroporto ou os Correios, mas não corre como previsto. Sete polícias e soldados portugueses são mortos. A repressão foi violenta e dezenas de rebeldes morrem durante as operações e mais de uma centena são detidos pela PIDE e PSP. Nos dias seguintes, militares, polícias e milícias formadas por elementos da população branca farão ainda centenas de feridos e mortos entre a população negra, em ataques a musseques e rusgas.

Os acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961 constituem a primeira acção armada contra o colonialismo português, desmistificando a retórica da coexistência pacífica entre colonizado e colonizador e a harmonia racial e social. A origem deste ataque é bastante polémica, sendo atribuída à UPA (União dos Povos de Angola, fundada em 1954), ou ao MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola, fundado em 1956), ou ainda à iniciativa do cónego mestiço Moreira das Neves que era Vigário Geral da Diocese de Luanda e tinha ligações com a UPA. A 15 de Março, aconteceriam os massacres da UPA, no Norte de Angola. A violência desta insurreição, com ataques a povoações e fazendas de colonos, mutilação de corpos de homens, mulheres e crianças, brancos e negros, foi aterradora. Salazar tinha agora razões para responder aos pedidos da administração colonial e enviar finalmente tropas para Angola. A 4 de Fevereiro o assalto às cadeias de Luanda, para libertação dos presos políticos, marcava o início da luta pela independência. Agora, o 15 de Março, marcaria o início da Guerra Colonial, que se arrastaria até ao 25 de Abril de 1974.

Desembarque de tropas portuguesas em Luanda, 1962

1961,  21 de Janeiro “OPERAÇÃO DULCINEIA“, assalto ao paquete “Santa Maria”, ou a Santa Liberdade

O directório Revolucionário Ibérico de Libertação tomou, pelo comando de Henrique Galvão, o paquete português “Santa Maria”, que se situava ao largo das Caraíbas, em La Guaira, Curaçao, com 600 pessoas a bordo. O principal objectivo desta operação era atrair a atenção da opinião pública internacional, e em especial dos países democráticos, para a situação sociopolítica de Portugal. O objectivo seguinte passava por obter munições e material de guerra, nomeadamente canhoneiras e aviões, e desembarcar em Angola. A partir de Luanda, constituir-se-ia um governo opositor ao regime de Salazar.

Imediatamente após a notícia do ataque ao paquete, Salazar, a partir de Lisboa, consegue pedir ajuda aos Ingleses e Norte-Americanos, de modo a localizar a embarcação, dizendo que se tratava de um acto de pirataria. No entanto, ao ter conhecimento do primeiro comunicado oficial emitido a partir do Santa Maria – transmitido via rádio-mensagem para Nova Iorque, pelas 13h38 do dia 24 de Janeiro –  os aliados, que se dirigiam em socorro pelo regime português, apercebem-se que as razões do assalto são afinal de natureza política: o resgate pedido é a democracia. Afirmou ainda que desembarcaria os passageiros e tripulantes no primeiro porto neutro que garantisse a sua segurança e a do navio. No dia 25, os aviões que sobrevoaram o navio notam que o nome da embarcação havia sido mudado para Santa Liberdade. Os Estados Unidos pedem a libertação dos refugiados, mas apenas a 1 de Fevereiro é que Galvão recebe a confirmação de asilo político por parte do Brasil. No dia 2 chegam ao Recife e desembarcam todos os passageiros, terminando o sequestro que durou um mês. Para fúria de Salazar, um dos maiores objetivos foi cumprido: o acontecimento teve um impacto internacional e o regime foi mais uma vez desmascarado.

1961, Abrilada de 1961, Tentativa de Golpe Botelho Moniz

A Abrilada de 1961 foi uma tentativa de golpe de estado constitucional levada a cabo entre 11 e 12 de Abril, dirigida pelo general Botelho Moniz (Ministro da Defesa), com o objetivo expresso de afastar Salazar da chefia do governo. Os preparativos foram denunciados pelo general Kaúlza de Arriaga e o almirante Américo Tomás (apoiantes do Estado Novo). Foi especialmente importante por ser a primeira vez que altos cargos dos comandos das Forças Armadas, “suprema entidade tutelar do Estado Novo” (ROSAS, 2013, pág. 246), tentam depor Salazar.

A relação de Botelho Moniz com o embaixador dos EUA, Eldrick, leva à pressão da administração Kennedy sobre o governo português, no sentido da alteração da sua política colonial. Na sequência do desmantelamento desta tentativa de golpe e da demissão do Ministro da Defesa, do Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, do ministro e subsecretário de Estado do Exército e do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Salazar recupera o controlo absoluto do Exército e assume estas pastas ou coloca partidários seus nestes lugares, culminando no discurso pela autonomia nacional (contra os americanos) e pela resposta violenta em Angola. Diz o ditador em discurso à nação emitido na televisão: “se alguma explicação há a dar […] essa é Angola […] andar rapidamente e em força” (ROSAS 2013, pág. 253).

“A elite militar mostrava-se definitivamente incapaz de enfrentar o regime que há muito tutelava. (…) Efectivamente, «para impor às Forças Armadas a guerra em África, Salazar teve de as decapitar dos seus chefes máximos» (…) assegurou a fidelidade dos novos comandos ao Estado Novo (e à política da guerra) e habilitou-se a fazer face a todas as demais ameaças.” (ROSAS 2013, pp. 254-255)

1961, 1 de Agosto ATAQUE A AJUDÁ, República do Daomé

O recém-criado Daomé (atual Benim), antiga colónia francesa na África Ocidental, ocupa a Fortaleza de São João Baptista de Ajudá. Com 4,5 hectares, era uma das colónias mais pequenas do mundo. A fortaleza foi fundada em 1680 pelos portugueses e serviu, sobretudo, como entreposto comercial, nomeadamente de escravos. Portugal só reconheceu a soberania do Benim sobre a fortaleza em 1975. Foi o primeiro território ultramarino em África que Portugal perdeu no século XX.

1961, Outubro-Novembro MANIFESTAÇÕES anti-governamentais e anti-guerra colonial

Deram-se várias manifestações de protesto por todo o país – Almada, Alpiarça, Coimbra, Covilhã, Couço, Grândola e Lisboa -, pelo fim da guerra em África e a demissão de Oliveira Salazar. Milhares de pessoas enfrentaram, durante várias horas, as forças repressivas policiais, com paus, pedras e a sua coragem.

1961, 10 de Novembro OPERAÇÃO VAGÔ“, tomada de um avião da TAP

Esta operação histórica é um dos primeiros desvios, a nível mundial, de um avião comercial. Orquestrada por Henrique Galvão, com o apoio e participação de Amândio Silva, Camilo Mortágua, Fernando Vasconcelos, João Martins, Maria Helena Vidal e Hermínio da Palma Inácio, foi tomado em pleno voo, um avião da TAP chamado “Mouzinho de Albuquerque”, que partia de Casablanca com destino a Lisboa. O objectivo era lançar sobre a capital portuguesa milhares de panfletos com o Manifesto da Frente Anti-Totalitária, incitando ao boicote às eleições, e denunciando a fraude eleitoral perpetrada pelo regime.

Super Constelation, TAP

Cerca de 45 minutos após levantarem voo, Palma Inácio invade o cockpit, apontando um revólver à cabeça do piloto – José Marcelino – que tenta contrariar as ordens para sobrevoar várias cidades portuguesas, afirmando que não havia combustível suficiente para regressar a Marrocos. Palma Inácio, que tinha licença para pilotar aviões comerciais, não se deixou enganar. Sobrevoam assim o centro de Lisboa, num voo rasante, apenas a 100m de altitude, passando ainda pela margem sul e Faro, lançando por uma das janelas de emergência, 100 mil panfletos que seguidamente mostramos:

Panfleto da Operação Vagô, Museu do Aljube

Segundo o relato do sobrinho do piloto, o regime ordenou que dois caças perseguissem e abatessem o “Mouzinho”, mas os pilotos não obedeceram. Há relatos que ainda contam que o ambiente entre os “piratas do ar” e os restantes passageiros era alegre e de confraternização. Regressando a Casablanca, os responsáveis pela acção não são presos pelas autoridades marroquinas, (apesar da pressão do regime para tal) e regressam ao exílio e clandestinidade. 

1962, 1 de Janeiro REVOLTA DE BEJA

Trata-se de uma tentativa de golpe militar para derrubar o regime, dirigido por Varela Gomes e Manuel Serra. A estratégia passava pela tomada de assalto do Regimento de infantaria 3, em Beja. Após controlar o quartel, o plano era obter armas e garantir a adesão de outras unidades militares (do Alentejo ao Algarve). A noite era de temporal. 100 homens entraram no regimento e abriram fogo sobre a guarnição de 300 homens que ali se encontrava. Foi quando se dirigiram ao comando que a operação termina: a resistência do major Calafate não os permitiu continuar.

1962 MANIFESTAÇÕES POPULARES

O início deste ano é marcado por manifestações históricas, de norte a sul do país. 

“Portugal sim, Salazar não!” foi o grito que se ouviu durante o dia 31 de Janeiro, no Porto, onde aconteceu uma massiva manifestação anti-fascista, ainda na sequência da crise gerada pelo último acto eleitoral de 1958. O jornal Avante, na edição de Fevereiro do mesmo ano, reporta: “Entre as 18h30 e as 20h o entusiasmo não abrandou. A polícia não conseguiu fazer dispersar a manifestação apesar da rajada de metralhadora da Praça da Batalha, dos tiros da Praça da Liberdade e noutros locais. (…) Nem os poderosos jactos de água de 2 auto-tanques da PSP foram suficientes para impedir o povo de demonstrar da forma mais eloquente o seu anti-salazarismo, a sua vontade de derrubar este regime de terror e de crime, de fome e de guerra”. A população resistiu durante 7 horas, ao medo e à repressão policial.

Já em Março, no dia 8, celebrou-se o dia mundial da mulher com 20.000 pessoas a manifestar-se contra a Guerra Colonial, a política do regime fascista e a repressão. A polícia ataca a manifestação e fere dezenas de pessoas.

É em Maio que se dá uma conquista histórica para os trabalhadores portugueses: graças à união dos operários agrícolas do Alentejo, consegue-se estabelecer as 8 horas de trabalho. A sul do Tejo, desde as cidades da margem sul, ao alto e baixo Alentejo, passando pelo litoral, a paralisação foi massiva. Até os trabalhadores do Algarve e Ribatejo se solidarizaram e aderiram, de modo a acabar com o trabalho de sol a sol. Desconhece-se ao certo qual foi o número exacto de trabalhadores envolvidos nesta sequência de greves, mas António Gervásio, militante do PCP e envolvido na organização dos protestos, diz que foi uma paralisação de mais de 200 mil. Refere ainda, num texto datado de 1969, antes de ser preso, a repressão e violência que enfrentaram nesta conquista:

“Nos primeiros tempos tomaram um conjunto de medidas com vista a abafá-lo, no sentido de que as oito horas não vingassem. Fizeram dezenas de prisões. Muitas localidades foram tomadas militarmente pelas forças repressivas da PIDE, GNR e PSP. Fizeram espancamentos. Recorreram aos despedimentos em massa. Não empregavam pessoal do Sul e iam buscá-lo a outras províncias (…) a conquista das oito horas não foi fácil. Custou muito trabalho, prisões, espancamentos, mas os trabalhadores venceram”.

1962, 12 de Março EMISSÕES CLANDESTINAS da Rádio Portugal Livre

No decurso da I Conferência de Forças da Oposição, a decorrer em Argel, em Dezembro, é criada a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), organização de inspiração comunista e de luta armada. É neste dia que, a partir de Argel, se iniciam as emissões clandestinas da Rádio Voz da Liberdade, emissora da FPLN dirigida por Piteira Santos e Manuel Alegre (locutor da Rádio Voz da Liberdade até 25 de Abril de 1974), que teve um papel importante na luta contra o colonialismo português. Manteve a sua actividade durante 12 anos.

1962 CRISE ACADÉMICA

Esta crise é despoletada pela proibição da celebração do Dia do Estudante naquele ano, com o lema “A unidade de hoje, pela união de amanhã”, e representa a primeira grande luta estudantil da Europa nos anos 60. A 24 de Março, no Campo Grande, iniciava-se o desfile pacífico que terminaria num jantar colectivo, organizado para celebrar este dia. A participação foi massiva e perante a violenta carga policial, estabelece-se um forte e constante confronto entre o movimento estudantil e o governo, que durou meses. Uma das fortes acções foi o “luto académico”, com uma greve às aulas em praticamente todas as Faculdades, com a palavra de ordem: “Ofenderam-te, Enluta-te”. Neste luto realizam-se também ocupações de várias instituições e equipamentos de ensino, plenários, concentrações, desfiles, manifestações e greves de fome. Nos confrontos policiais tremendamente violentos, a polícia cercou, invadiu e encerrou instalações da Universidade de Lisboa. Fez perseguições, espancamentos e prisões de estudantes. Em Maio, com a suspensão da Associação Académica de Coimbra, o luto foi completo, e os estudantes da capital, em solidariedade, ocuparam a cantina da Universidade de Lisboa. A polícia escala a sua violência e os presidentes das Associações de Estudantes são raptados por polícias à paisana. Já em Junho, a greve aos exames teve uma adesão de cerca de 50%. O regime acaba por vencer esta batalha, mas perde qualquer apoio estudantil que ainda pudesse restar: até ao 25 de Abril de 1974, as universidades são uma das mais fortes forças de resistência à ditadura.

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Alameda das Universidades

1963 MANIFESTAÇÕES DO 1º DE MAIO

O maior e mais combativo protesto em Lisboa desde o fim da II Guerra Mundial. Foi uma acção planeada pelo PCP e as Juntas de Acção Patriótica, comunicada boca-a-boca e através de panfletos. Foi tão determinada e corajosa a forma como milhares enfrentaram a polícia, que se pensou que poderia resultar numa insurreição. Desde o início da tarde, até à meia noite, a baixa da cidade foi controlada pelos manifestantes. A violência policial foi brutal: contabilizaram-se pelo menos dois mortos, entre eles Agostinho Fineza, tipógrafo, militante do PCP, e dezenas de feridos. Estes foram levados para o Hospital de S. José, de onde posteriormente seriam levados para a prisão. No entanto, foram estrategicamente colocados ao serviço médicos democratas que deixaram muitos deles fugir.

1965, 4 de Outubro MANIFESTO DOS 101 CATÓLICOS

A 4 de outubro de 1965 é publicado, em Portugal, o manifesto dos “101 católicos” contra a política colonial da ditadura» pela paz. Pela primeira vez, os católicos portugueses manifestam uma crítica clara à coesa colaboração e cumplicidade entre a Igreja e o Estado Novo, especialmente relacionadas com a política (e acção) colonial portuguesa e da Guerra Colonial. Existiam já algumas vozes críticas do regime no seio da Igreja Católica – veja-se o caso da famosa carta do Bispo do Porto, Dr. António Ferreira Gomes, a Salazar na sequência da fraude eleitoral de 1958 -, mas é a partir deste momento que se formarão grupos católicos de oposição organizada. 

Também influenciados pela aproximação da Igreja Católica à causa da libertação dos povos africanos, resultante do Concílio do Vaticano II (1962-65), os católicos portugueses começam a escutar as vozes fervorosas contra o regime, dentro das organizações da Acção Católica. Aos altos cargos conservadores, centralistas e autoritários, alinhados com a oligarquia política e económica da ditadura portuguesa e do colonialismo português, opõem-se grupos de católicos – funcionários de base da Igreja portuguesa e civis – que criam novas tribunas de debate ideológico, se radicalizam e tomam uma posição contra o regime e contra a guerra. Começarão a ser presos e torturados, recorrem a mecanismos clandestinos de propaganda e de informação, chegando mesmo a apoiar a luta armada nos anos 70. A dissidência católica prolifera nas organizações católicas: Liga Operária Católica (LOC), Juventude Operária Católica (JOC), Juventude Universitária Católica (JUC), etc.

1967-1972 ACÇÕES DA LUAR: LIGA DE UNIDADE E ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA

Boletim informativo da LUAR, Ephemera

A Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), movimento de oposição armado e revolucionário, dirigido por elementos que tinham já organizado outras acções de resistência previamente descritas – como a operação Dulcineia e a operação Vagô -, consolida-se entre Março e Fevereiro deste ano, quando Palma Inácio, Camilo Mortágua, António Barracosa, Carlos Biló Pereira e Ângelo Cardoso regressam clandestinamente a Portugal. Considerando que as anteriores acções, apesar de terem contribuido para a divulgação a nível internacional da ditadura e clima de opressão que se vivia em Portugal, não eram suficientes para a derrubar. Assim, pretendem consolidar o movimento, angariar apoio e discutir os objetivos concretos desta nova organização, que pretende ser independente de qualquer outro partido, nacional ou internacional. Deste modo, algumas das acções concretizadas, como esta primeira operação enquanto movimento, servem exclusivamente para obtenção de fundos. Durante a sua existência, a LUAR realizou oficialmente nove operações, entre 1967 e 1972, consideradas uma referência importante no combate e luta antifascista em Portugal.

1967, 17 de Maio ASSALTO AO BANCO DE PORTUGAL

A sua primeira acção é o assalto ao Banco de Portugal, na Figueira da Foz, que se inicia às 15h55, e, embora planeada para durar três horas, a operação fica concluída ao fim de 30 minutos, dando início à fuga para Espanha por Vila Real de Santo António. No seu primeiro comunicado, é exposto o objectivo: “Esta operação, preparada minuciosamente e realizada com uma coragem exemplar, teve como objectivo a recuperação de bens pertencentes ao Povo Português. Estes bens serão utilizados no financiamento da organização e preparação do movimento revolucionário que porá termo definitivamente ao despotismo Salazarista”.

1967, 17 de Setembro ASSALTO AO QUARTEL EM ÉVORA

Esta operação, de nome “Diana”, tratou-se do assalto à sede da 3º Região Militar, com o apoio de um oficial que ali prestava serviço, Francisco Seruca Salgado. O plano era simples: assaltar o quartel, esconder as armas na tipografia do jornal Democracia do Sul (graças a conhecimentos na direção do jornal), e seguidamente, voltar a sair clandestinamente do país. Conseguiram, assim, adquirir meios para desenvolver as acções que se seguem.

1968, Agosto TENTATIVA DE OCUPAÇÃO DA COVILHÃ, criação de “zonas libertadas”

A operação de nome “Matias”, tinha como objectivo “ocupar uma pequena cidade portuguesa, atacar os postos da GNR e da PSP, assaltar as agências bancárias, ocupar o posto da rádio e difundir uma proclamação à população da cidade, exortando-a a sair para a rua em apoio às forças revolucionárias”. E assim a Covilhã foi escolhida, pela sua proximidade à fronteira, pela facilidade de controlo dos acessos, pela falta de unidades militares nas proximidades e pela tradição de luta e resistência operária. António Barracosa, Hipólito dos Santos e Camilo Mortágua estavam responsáveis por toda a logística da operação: arranjar carros e forma de camuflar as armas e explosivos, seleccionar condutores para as viaturas, preparar os percursos e pontos de encontro na travessia da fronteira de França e Espanha, redigir os cartazes e manifestos e preparar a fuga. Entre o Sabugal e a Guarda, devido a uma multa por mau estacionamento e falta de carta de condução, Palma Inácio (que conduzia a viatura) e alguns dos elementos da operação foram detidos e apreendido o armamento que transportavam. A operação estava condenada. Os restantes grupos que aguardavam ordens, à falta de notícias, foram desertando e saindo do país pelos seus próprios meios. O resultado da operação Matias foi desastroso para o movimento: 8 elementos presos, entre eles o líder da organização, e a perda de grande parte do armamento.

Este acontecimento obrigou a uma reorganização e reestruturação da LUAR que, após a fuga de Palma Inácio das instalações da PIDE no Porto, em 1969, volta a actuar dentro e fora do país, Com estas alterações e após a nova reorganização de 1970, surgiu o plano de assaltar Consulados portugueses noutros países, para obter documentos e carimbos com selo branco do consulado. 

1971, 1 de Maio ASSALTO AO CONSULADO DE PORTUGAL, em Roterdão

Nessa noite, por volta das duas horas da manhã, Jacinto Rodrigues, Joaquim Alberto Lopes Simões e Nélson Rosário dos Anjos entraram pelo consulado, arrombando a porta traseira. Conseguem roubar máquinas de escrever, selos brancos, passaportes e Bilhetes de Identidade antigos, para depois serem falsificados.

1971, 4 de Junho OCUPAÇÃO DO CONSULADO DE PORTUGAL, no Luxemburgo

A operação deu-se no final da tarde, perto da hora de encerramento. Os elementos entraram de óculos escuros e armados com pistolas e os funcionários e outras pessoas que se encontravam no interior do edifício foram feitos reféns. Depois, simularam armadilhar o edifício, fazendo uso de plasticina e fios eléctricos  de modo que os reféns ficassem imobilizados e levaram passaportes usados, impressos virgens, bilhetes de identidade e outros documentos, tal como carimbos e algum dinheiro que encontraram. Já à saída aparece o Cônsul, que foi preso e colocado junto ao restante grupo de reféns. Assim, sem causar nenhum ferido ,como era habitual, deu-se mais uma operação bem sucedida.

De todas as acções, umas somente planeadas, outras realizadas, notamos que a metodologia desenvolvida pela LUAR passava por estas “acções espectaculares”, que acreditavam enfraquecer o regime e atrair atenção internacional. Há ainda que referir o manifesto apoio à independência dos povos das colónias, com acções como a sabotagem dos estaleiros de Hamburgo, a primeira acção de enfraquecimento militar colonial.

1968, 15 de Abril GREVE NACIONAL DOS PESCADORES

Cartaz da greve dos pescadores, História da Classe Trabalhadora

Dá-se, neste dia, uma greve ilegal de pescadores em Portugal, com o lema “Quem não teme o mar, não teme os patrões!“. Mais de 5000 pescadores de sardinha de Matosinhos foram os primeiros a entrar em greve, exigindo melhores salários, o fim dos despedimentos e o descanso ao domingo contra a “exploração desenfreada dos patrões”. Em Maio, a greve dos pescadores chega à maioria das cidades piscatórias do centro e norte do país: Aveiro, Figueira da Foz, Afurada, Espinho, Esmoriz e Ovar, e juntam-se a este protesto os trabalhadores das fábricas de conservas e de redes de pesca de Setúbal e do Barreiro. Graças à repressão policial, regressam ao trabalho, mas no dia 1 de Julho, inicia-se uma nova vaga de greves e com a prisão de alguns pescadores. 400 mulheres acompanhadas de crianças manifestaram-se em frente à sede da PIDE-DGS, exigindo a sua libertação, o que se viria a repetir várias vezes até à revolução dos cravos. Neste ano, a ditadura portuguesa tremeu, não só pela queda de Salazar (da sua cadeira), como pelo forte aumento da contestação através de greves, manifestações e novas organizações políticas e estudantis opositoras do regime que surgiam e cresciam constantemente.

Ir e Vir – música do GAC-Grupo de Acção Cultural, interpretada por José Lopes.

1969, 1 de Janeiro VIGÍLIA DE S. DOMINGOS

Numa reunião na Igreja de São Domingos, cerca de 200 católicos fazem uma vigília e condenam a política africana do governo português, divulgando um documento onde manifestam o seu empenho na criação de uma solução pacífica para a questão colonial.

1969, 17 de Abril Crise Académica de 1969

A 17 de Abril de 1969, Alberto Martins, presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), levantou-se para pedir a palavra em nome dos estudantes na cerimónia de inauguração do Departamento de Matemática. Na mesa, Américo Tomás dá a palavra ao Ministro das Obras Públicas, e encerra a sessão sem qualquer representação dos estudantes. A comitiva é vaiada pela multidão à saída e os estudantes fazem, de seguida, a sua inauguração sem as autoridades. Havia começado a “crise”.

Alberto Martins é preso nessa noite, sendo libertado no dia seguinte. Em Assembleia Magna os estudantes exigem a sua participação no Senado Universitário. A 22 de Abril, vários dirigentes associativos são suspensos da Universidade, é decretado luto académico e apela-se a que os estudantes discutam nas aulas a situação. No dia 30 de Abril, o Ministro da Educação Nacional, José Hermano Saraiva, fala na televisão da “onda de anarquia que tornou impossível o funcionamento das aulas”, revelando a agitação que os meios de comunicação censurados não podiam mostrar.

A 6 de Maio, a Universidade de Coimbra é encerrada por decisão ministerial, sendo ocupada por militares, e a Queima das Fitas é anulada. A DG/AAC publica a “Carta à Nação”, onde afirma “a nossa luta só poderá fazer tréguas quando tivermos atingido uma Universidade Nova num Portugal Novo”, expondo a repressão em contexto académico e tornando pública a luta nas Universidades. A 28 de Maio, numa Assembleia cheia, aprova-se a greve aos exames (boicotando 86,8% dos exames), o que poderia representar para os reprovados um passaporte para África. Os estudantes organizam piquetes de greve, soltam balões na Baixa de Coimbra, oferecem flores à população, produzem cartoons, armadilham zonas por onde passavam os carros da polícia. 

“No início do ano lectivo seguinte, quarenta e nove destacados activistas estudantis são incorporados nas fileiras do exército. No momento da despedida, na Estação de Coimbra-B, gritam-se palavras de ordem contra a guerra colonial. O tema havia estado ausente do catálogo explícito das reivindicações, mas a partir daí segue-se um caminho que em Lisboa já se havia começado a trilhar: contestar a guerra e contestar o regime tornar-se-iam faces da mesma moeda.”

“50 anos da Crise Académica de 1969: Crises, história e memória”, Texto de Miguel Cardina de apoio ao debate “50 anos da crise académica”, que terá lugar no Fórum Socialismo 2019, no domingo, 1 de setembro, às 14h30 horas, no Porto. Artigo publicado na Revista Vírus nº 12, Abril/Maio, 2011

1969 “Ousar Lutar, Ousar Vencer” da Esquerda Democrática Estudantil 

Na Faculdade de Direito de Lisboa actua uma organização chamada Esquerda Democrática Estudantil que publica “Ousar Lutar, Ousar Vencer“, um jornal eleitoral da lista com o mesmo nome e candidata à direcção da Associação Académica da Faculdade, apresentando as razões da candidatura e sua orientação. Redigida por Carlos Almeida Fernandes, Alberto Costa, Castro Mendes, António Cordeiro, Alberto Arrows de Carvalho, José Sobral, Ana Prata e José Oliveira apela à democratização do ensino e à defesa dos direitos dos estudantes. Este colectivo estará na origem do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP).

1969, 11 a 13 de Novembro GREVE DOS TRABALHADORES DA LISNAVE

Durante quase três décadas, os operários dos estaleiros navais da Lisnave, em Lisboa, protagonizaram alguns dos mais importantes conflitos sociais de Portugal. A Lisnave foi, entre 1967 e 1984, a maior concentração operária de Portugal (no pico teve 9.000 trabalhadores efectivos) e um modelo nas relações entre grupos económicos privados e o Estado. Em 1967, é criada uma Comissão Interna da Empresa (CIE), através da qual os trabalhadores se deviam dirigir à Administração para sugerir e contribuir para o progresso da empresa. A administração considera que o desinteresse dos trabalhadores se deve ao “atraso da classe trabalhadora portuguesa”, contudo, testemunhos recolhidos posteriormente remetem para a desconfiança da CIE, que reproduzia o esquema dos sindicatos criados pelo Estado Novo, que não dispunham de adesão por causa da suspeita de que nela estariam envolvidos agentes da PIDE/DGS – o que se verifica aquando da eclosão da greve.

Estaleiro da Margueira

A paralisação começa na tarde de 11 de Novembro nos estaleiros da Lisnave da Margueira (margem sul do rio Tejo) e da Rocha (margem norte do rio Tejo) e continua no dia seguinte, contando com a participação de 5.000 trabalhadores. As razões da greve permanecem controversas, mas pode apurar-se que o protesto se motiva por questões salariais a par com motivações políticas, uma vez que as reivindicações incluíam questões como o fim da Guerra Colonial, a saída de Portugal da OTAN e a abertura comercial aos países do Leste. A Administração envia a polícia de choque para reprimir os operários e impede-os de entrar nos estaleiros, para mais tarde serem readmitidos, na entrada do estaleiro, um a um, e despedidos os dirigentes da greve. Na noite de 12 para 13, o estaleiro da Margueira é tomado pelas forças de ordem pública, com cães e GNR a cavalo, que dispersam os trabalhadores. Estes dirigem-se a Lisboa onde, na zona da Rocha, sofrem novas e brutais cargas da polícia de choque. Nos dias seguintes à greve os trabalhadores são readmitidos individualmente ao trabalho, com a obrigatoriedade de usar um cartão de identificação. Várias dezenas de trabalhadores perdem o seu emprego.

1970, 18 de Setembro Criação do MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO (MRPP)

Foi fundado a 18 de Setembro de 1970, o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), que viria a dar origem, a 26 de Dezembro de 1976, ao Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), uma organização de inspiração maoísta, cujo líder histórico foi Arnaldo Matos. Estabeleceu-se por não concordar com o que considerava ser uma política revisionista levada a cabo pelo PCP. Na clandestinidade, o seu órgão de propaganda anti-regime era a Luta Popular que foi lançado em 1971. José Ribeiro dos Santos, estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, membro-fundador do movimento Ousar Lutar, Ousar Vencer e membro da Federação de Estudantes Marxistas-Leninistas – órgão afecto ao MRPP – foi assassinado aos 26 anos, com um tiro nas costas, pelo agente da PIDE Gomes da Rocha, durante uma reunião de estudantes contra a repressão do regime, que teve lugar no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, a 12 de Outubro de 1972.

1970, 11 de Outubro  FUNDAÇÃO DA INTERSINDICAL

A Fundação da Intersindical é um acto que resulta de um longo processo de organização e luta dos trabalhadores portugueses. O regime não se limita a dirigir os organismos que, pelo corporativismo, representam o patronato – Grémios, Federações, etc -, ele dirige, também, os que representam os trabalhadores, como os Sindicatos Nacionais, Casas dos Pescadores e Casas do Povo. Num grande movimento de assumir o controlo dos seus sindicatos, os trabalhadores organizam listas que os representem e, desta forma, em Julho de 1968, os Profissionais da Propaganda Médica conquistam o seu sindicato; seguem-se eleições nos Têxteis do Porto, onde uma lista unitária com 300 assinaturas é recusada, sendo nomeada uma Comissão Administrativa pelo governo. No início de 1969, são eleitas direcções unitárias nos Sindicatos dos Metalúrgicos do Porto e de Braga. As duas direcções esperam meses pela homologação ministerial: a de Braga chegou em Novembro e a do Porto só foi conseguida mais de um ano depois, em Julho de 1970. (Estas conquistas tiveram importância estratégica, dado que foram decisivas para o controlo da Federação Nacional dos Metalúrgicos com sede em Lisboa). A vitória de listas unitárias tem continuidade em 1970. No comércio de Lisboa, os trabalhadores ligam a luta pela semana de 44 horas às eleições no sindicato e, numa assembleia em que participam 2000 caixeiros, obrigam a direcção do sindicato, afecta ao fascismo, a marcar eleições. No dia 13 de Abril, a lista unitária vence com mais de 90% dos votos expressos. Seguem-se vitórias unitárias nos Sindicatos dos Lanifícios em Lisboa, Castanheira de Pera, Covilhã e Gouveia. O que permitiu aos operários têxteis passarem a dirigir a Federação Nacional dos Sindicatos dos Lanifícios. Ainda em 1970, elegem direcções da sua confiança, os jornalistas, os trabalhadores dos escritórios e bancários de Coimbra, dos seguros de Lisboa e do Porto, dos escritórios e caixeiros de Santarém, do serviço social, da marinha mercante, aeronavegação e pescas e os apanhadores de peixe de Lisboa. 

A 1 de Outubro de 1970, é enviada uma convocatória a vários sindicatos (cerca de duas dezenas) para uma reunião a realizar no dia 11, em Lisboa. O objectivo era discutir as leis da contratação colectiva, do horário de trabalho e exigir a liberdade de reunião e o fim da censura. Na sequência do Encontro Nacional de Direcções Sindicais, ao conjunto de organizações sindicais é dado o nome de Intersindical.

1970-1973 VÁRIAS ACÇÕES DA ARA – Acção Revolucionária Armada

Manifesto inicial da ARA

A Ação Revolucionária Armada foi criada pelo Partido Comunista Português com o objetivo de lutar contra as guerras coloniais desencadeadas por Portugal e impulsionar a luta pelo derrube da ditadura portuguesa. Tornou-se pública em Outubro de 1970, quando reivindica a sua primeira acção e suspendeu a luta armada a1 de Maio de 1973. Foi dirigida, na fase operacional, por um Comando Central de três elementos: Jaime Serra, Francisco Miguel, e Raimundo Narciso. Jaime Serra, dirigente do PCP, contava já com muitos anos de prisão e clandestinidade. Francisco Miguel, membro do CC do PCP, esteve 21 anos e meio preso e foi o último prisioneiro português a abandonar o campo de concentração do Tarrafal. Uma característica peculiar da ARA – comum a outras organizações semelhantes, como a LUAR (Liga da Unidade e Acção Revolucionária) e as Brigadas Revolucionárias, surgidas uns anos depois -, era a preocupação de não causar danos pessoais com as suas ações. De facto, no que diz respeito à ARA, apenas na acção contra a escola técnica da PIDE, em 1970, houve uma morte, a de um jovem transeunte vitimado acidentalmente pela explosão da bomba colocada à porta da referida escola. A ARA foi suspensa em Maio de 1973, mas não reclamava acções desde Agosto de 1972.  Esta decisão reflecte a vontade do seu Comando Central e o Secretariado do Comité Central do PCP em privilegiar as acções de massas e a luta dos trabalhadores e fortalecer a unidade da oposição contra o regime, sob a ideia de conciliação com a Ação Socialista Portuguesa (ASP) e os católicos progressistas, que desencorajavam acções armadas.

1970, 26 de Outubro ATAQUE AO NAVIO CUNENE

A primeira acção da ARA é a 26 de Outubro de 1970, quando é colocado um engenho explosivo no navio Cunene, que fica alagado e imobilizado no Cais de Alcântara. De seguida, é também colocada uma carga explosiva no paquete Vera Cruz, utilizado no transporte de tropas para África.

1970, Novembro TRIPLA-ACÇÃO DA ARA

Em Novembro do mesmo ano, a ARA leva a cabo um conjunto de acções com engenhos explosivos contra a Escola Técnica da Direcção-Geral de Segurança, em Benfica; equipamentos e material de guerra, armazenados no cais da Companhia Nacional de Navegação; Centro Cultural da Embaixada dos EUA, em Lisboa. Estas três bombas tinham um valor simbólico, representando as frentes de combate político: a luta contra a repressão, contra a guerra colonial, e contra o imperialismo.

 1971, 8 de Março Operação ÁGUIA REAL

Consiste num atentado contra a Base Aérea 3, em Tancos, freguesia de Praia do Ribatejo, no concelho de Vila Nova da Barquinha. Nesta ação, que decorreu na madrugada de 8 de Março, foram armadilhadas uma série de aeronaves que se encontravam no hangar nº 2, em Tancos. Apesar do alvo dos sabotadores serem as aeronaves, o hangar ficaria também bastante danificado. Foram destruídos um Puma e quatro Alouettes III (Helicópteros), três DO-27 e três Cubs (aviões de pequeno porte). Ficariam ainda seriamente danificados dez Alouette III, dois Alouettes II, duas DO-27 e um avião Chipmunk. Os autores do atentado foram Carlos Alberto da Silva Coutinho, António João Eusébio e Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa, este último o elemento “infiltrado”, pois frequentava o curso de pilotagem de helicópteros naquela mesma base. A ARA entrega um comunicado à imprensa reivindicando o sucedido, dando ênfase à sua complexidade e sucesso, assim como à coragem dos seus operacionais, sublinhando também que “para o seu êxito contribuiu decisivamente o sentimento anticolonialista cada vez mais predominante entre os soldados portugueses, filhos do povo fardados” terminando com a exortação “[a]baixo a guerra colonial! Viva a insurreição popular armada!”

1971, 3 de Junho ATAQUE AOS CTT 

Nesta data, reuniram-se em Lisboa vários ministros de países pertencentes à NATO e centenas de jornalistas internacionais que procuravam noticiar os eventos da reunião. Este encontro é anunciado por Marcello Caetano como importante prova da abertura ao “estrangeiro” numa nova fase do regime.

Alberto Serra, irmão de Jaime Serra, era técnico na central de telefones e telecomunicações em Lisboa e conhecia o sistema de comunicações. Asseguram o comando das operações Carlos Coutinho e António Eusébio, sob coordenação de Raimundo Narciso. Três operacionais disfarçados de operários entraram na Central de Telecomunicações  da empresa com cargas explosivas, com os relógios programados para explodir às 3h30 da manhã. A grande explosão fez estremecer Lisboa e isolou-a do exterior, com um corte total de comunicações por seis horas. A suspensão das comunicações durante a conferência ministerial da NATO causou grande embaraço ao regime, sendo noticiada mundialmente (Le Figaro, The Guardian, BBC e na rádio da Alemanha Ocidental). A operação não se desenvolveu exactamente como esperavam, sendo as cargas explosivas usadas insuficientes para impedir a transmissão do discurso de Marcelo Caetano, nesse dia. No entanto, a destruição da integridade de alguns postes foi o suficiente para derrubar a eletricidade em certas regiões de Lisboa, principalmente a zona do Palácio da Ajuda, onde decorria a reunião da NATO.

1971, 27 de Outubro Bombas no Comando da Área Ibero-Atlântica em Oeiras

O Comando da NATO para a região Ibero-atlântica (Comiberlant) era principalmente um sistema que permitia comunicações entre todos os quartéis, estabelecendo o Quartel-General da NATO em Oeiras, que seria inaugurado a 29 de Outubro de 1971. A ARA encarava a fixação deste quartel como uma provocação e como prova da colaboração da NATO com a ditadura portuguesa e a guerra colonial. 

Foram escolhidos para executar a operação Manuel dos Santos Guerreiro e Manuel Policarpo Guerreiro. Seria executada durante a madrugada, contando com a hipótese dos guardas terem adormecido. Para transportar os explosivos para dentro, era preciso passar junto à Casa do Guarda, sendo o reconhecimento do local feito por Raimundo Narciso e Victor Eça. Às duas da manhã, a bomba explodiu, causando uma enorme destruição no Quartel do Comiberlant, com a queda de parte da fachada, de paredes, janelas e portas, assim como fortes danos em mobiliário e aparelhos electrónicos. A apenas dois dias da comemoração, tentou-se reparar a fachada do edifício de modo a ocultar os danos da explosão, o que se verificou impossível, mudando-se o local da cerimónia de inauguração para um palanque improvisado. Enquanto os jornais portugueses censuraram quaisquer notícias sobre a acção, os jornais internacionais relatavam o sucedido, criando mais uma humilhação a Marcelo Caetano perante altas figuras da NATO. A PIDE levou a cabo uma investigação durante meses sem quaisquer resultados. 

1972, 12 de Janeiro OPERAÇÃO MUXIMA

A ARA realiza uma acção de destruição de material de guerra sofisticado, vindo de França, que seguia para a Guerra Colonial no navio Muxima. Obtiveram informações através de António Pedro Ferreira (ex-oficial miliciano, comandante da marinha mercante) que, com Raimundo Narciso, formulou um plano para colocar explosivos no porão. Os operacionais seriam Manuel Guerreiro, Manuel Policarpo Guerreiro e Ramiro Morgado. Manuel dos Santos Guerreiro compra um bilhete de ida para Luanda para justificar a bagagem e, uma semana depois, Manuel Guerreiro trata do envio da mala para Luanda. A mala, levada para o cais numa camioneta alugada por Manuel Guerreiro, tinha lá dentro loiça, livros velhos, e, dentro de uma caixa de madeira, os explosivos. A bomba detona na madrugada de 12 de janeiro de 1972, deixando um rasto de destruição no cais e nos armazéns. A PIDE começa rapidamente as investigações, interrogando várias pessoas. Por causa da utilização de nomes falsos, serão presos e interrogados vários “António Pires”. No comunicado da ARA, é anunciada a destruição do material bélico para a Guerra Colonial e reforça-se a promessa da continuação da sua atividade revolucionária e da solidariedade com a luta dos povos das colónias.

1972, 9 de Agosto Sabotagem de Postes de Alta Tensão

A 9 de Agosto, Américo Tomás tomaria posse (novamente) como presidente da República. O plano da ARA era o corte de energia no país inteiro, com várias acções de sabotagem em simultâneo realizadas em Belas, Vialonga, Lisboa, Ermesinde,  Porto e Coimbra. Visto ser uma acção mais complexa em termos logísticos, precisou de mais operacionais, sendo escolhidos os melhores entre as suas fileiras, incluindo o Comando Central do qual apenas Raimundo Narciso era desconhecido da PIDE, ficando ele com a coordenação no terreno. O alvo consistia em vinte torres de aço das linhas de alta tensão da rede elétrica nacional em Lisboa, Coimbra, e no Porto. Francisco Miguel e Raimundo Narciso executariam em Lisboa, ficando Francisco Miguel e o seu grupo com as duas torres em Belas, e Raimundo Narciso e o seu grupo com as  seis torres em Vialonga. Jaime Serra seria o responsável no Porto, e Ângelo de Sousa em Coimbra, com quatro torres. Foram transportadas e usadas 80 cargas de material explosivo, muitos detonadores, relógios, e centenas de metros de fio elétrico. Após a escolha das torres, no sentido de facilitar a sabotagem e não causar nenhum incidente, as bombas explodiram com sucesso, resultando na falta de eletricidade durante várias horas em vários locais do país. Segundo Jaime Serra, a ação “teve grande repercussão política e ofuscou a tomada de posse do Presidente da República”, sendo difundida com ênfase e impossível de ignorar.

1971, Junho GREVE E CONQUISTA DA SEMANA INGLESA DE TRABALHO

Assinala-se, nesta data, uma greve e paralisação em Vila Franca de Xira, que vem trazer finalmente uma conquista há muito desejada para os trabalhadores caixeiros: a semana inglesa de trabalho. Isto significa que estes operários passaram a ter direito, finalmente e só na década de 70, a trabalhar 45 horas por semana, incluindo horas extraordinárias, e um dia e meio de descanso.

1972-73 ACÇÕES DAS BRIGADAS REVOLUCIONÁRIAS

As Brigadas Revolucionárias foram uma organização portuguesa de extrema-esquerda criada no início dos anos 70 por dissidentes do PCP que defendiam a luta armada como forma de derrubar o regime fascista e de conseguir a autonomia das colónias. Supõe-se que eram dirigidas por Isabel do Carmo e Carlos Antunes. Levaram a cabo importantes acções de oposição ao regime das quais destacamos a 8 de Abril de 1973, o Assalto aos Serviços Cartográficos do Exército para roubo de cartas militares de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que continham informações sobre os destacamentos portugueses no território, destinadas aos movimentos de libertação.

1972, 30 de Dezembro  Ocupação da Capela do Rato

Um grupo de católicos e não-católicos ocupa a capela do Rato, para assinalar o Dia Mundial da Paz, realizando uma vigília de 48 horas sobre o tema “A Paz é Possível”. É aprovada uma moção contra a guerra colonial e pela emancipação dos povos. A polícia intervém, invadindo  e encerrando a capela e detendo cerca de 70 pessoas, 15 das quais foram entregues à Direcção Geral de Segurança (DGS), encerrando a Capela.

1973, 4 de Abril  III CONGRESSO DE OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA

Este Congresso reúne, durante 4 dias em Aveiro, diferentes correntes políticas, ideológicas e democráticas na oposição ao Estado Novo, e resulta numa frente de oposição democrática que se apresenta às eleições legislativas de 1973. Foi autorizado pelo regime, de modo a melhorar a sua imagem internacional. Os objetivos principais foram a dinamização e definição das linhas de atuação democrática. Apesar da autorização, foi fortemente atacado pelo regime, com intimidações policiais e prisões arbitrárias, proibição das sessões preparatórias do congresso, censura jornalística, cerca policial à Cidade de Aveiro (de modo a evitar a chegada de milhares de pessoas) e o encerramento do Parque de Campismo de Aveiro para impedir o alojamento de trabalhadores e jovens estudantes. Este encontro foi um dos acontecimentos que  impulsionou o 25 de Abril de 1974, com o envolvimento na preparação e no próprio Congresso dos  futuros Capitães de Abril.

1973, 24 de Setembro PAIGC PROCLAMA A INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ-BISSAU

Foi pela forte e prolongada resistência das populações indígenas à colonização e extraordinária organização do PAIGC, dirigido por Amílcar Cabral, que Portugal nunca conseguiu exercer o poder desejado neste país, apesar da constante tentativa de domínio (em 1964, o dispositivo do exército portugues ali presente ascendia os 30 mil homens). O conflito intensifica-se com o assassinato de Amílcar Cabral, em Janeiro de 1973, e as forças independentistas atacam com todos os meios e em todas as frentes, obrigando o exercito português a recuar. Nesta data é proclamada unilateralmente, a partir das colinas de Boé, a independência da Guiné-Bissau. O Estado português, que já tinha sido condenado pelas Nações Unidas devido à operação “Mar Verde”, foi novamente envergonhado a nível internacional. O Conselho de Segurança da ONU reconhece a independência e classifica Portugal como país ocupante. Apenas a 10 de Setembro de 1974, Portugal reconhece a independência do país.

1974, 16 de Março REVOLTA MILITAR nas Caldas da Rainha

Também conhecida como Intentona das Caldas, foi mais uma tentativa falhada de golpe de Estado, levada a cabo por um grupo militar ligado ao Movimento das Forças Armadas (MFA). Partiram do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, em direcção a Lisboa, cerca de 200 homens que, por falta de apoio, se viram obrigados a regressar à sua unidade, que foi cercada e os elementos presos. O acto foi, no entanto, essencial para que Otelo Saraiva de Carvalho, principal estratega da operação do 25 de Abril, compreendesse como o regime responderia a uma tentativa de golpe. Assim, conseguiu elaborar detalhadamente as operações para o derrubar do Estado Novo, 2 meses depois.

1974, 28 de Março GRITO DA MULTIDÃO “ABAIXO A REPRESSÃO”, concerto de música de Intervenção em Lisboa

No Coliseu dos Recreios, em Lisboa, aquando do 1.º Encontro da Canção Portuguesa, dá-se um concerto de música de intervenção, que conta com a participação de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria e José Carlos Ary dos Santos, entre outros. Na sala cheia, ouve-se o público cantar em coro a canção “Grândola, vila morena”. No final, a multidão grita  “abaixo a repressão!”, mesmo perante o forte aparato policial.

1973-1974 Criação do MFA e Reuniões do Movimento dos Capitães

O Movimento dos Capitães de Abril, posteriormente renomeado como Movimento das Forças Armadas surge no ano 1973, e une um conjunto de militares de várias patentes do exército português com o mesmo objectivo: acabar com a Guerra Colonial e fazer cumprir a vontade do povo de derrubar o regime fascista que durava já longas décadas. Este movimento foi sendo consolidado ao longo do ano, sendo que em Dezembro, foi eleito um secretariado executivo, constituído por Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves com reuniões secretas e comissões frequentes. Em Março do ano seguinte, cerca de 1 mês da Revolução dos Cravos, definem um programa detalhado, do agora chamado MFA.

Uma breve cronologia:

1973, 9 de Setembro: Realiza-se num monte, perto de Évora, uma reunião de oficiais, onde participam 136 militares de todas as Armas e Serviços.

1973, 6 de Outubro de 1973: Realiza-se nova reunião do Movimento dos Capitães. Os presentes resolvem apresentar o pedido de demissão colectiva, caso não sejam satisfeitas as exigências dos oficiais.

1973, 24 de Novembro: Reunião do Movimento dos Capitães em São Pedro do Estoril. Pela 1ª vez se coloca uma hipótese de solução de força, recurso a golpe de Estado, em alternativa à hipótese de prosseguir as reivindicações por via exclusivamente legal.

1973, 1 de Dezembro: Reunião do Movimento de Capitães em Óbidos. É votada a hipótese de prosseguimento da acção através de meios legais. Contudo, é escolhida a Comissão Coordenadora com 19 elementos e iniciam-se os primeiros contactos para a eventualidade de um golpe de Estado.

1973, 8 de Dezembro: A Comissão Coordenadora do Movimento reúne-se na Costa da Caparica, onde é escolhida a direcção da Comissão Coordenadora Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, e Vítor Alves e são formadas várias comissões, que iniciam a preparação de um movimento militar.

1974, 23 de Janeiro: Movimento dos Capitães denuncia situação em Moçambique, divulgando 2 telegramas de oficiais de Moçambique.

1974, 5 de Março de 1974: Definição programática do MFA. Reunião do Movimento dos Capitães, em Cascais, onde são aprovadas as suas bases gerais programáticas no documento O Movimento, as Forças Armadas e a Nação, passando a chamar-se Movimento das Forças Armadas. Dias depois são iniciados contactos com os partidos políticos clandestinos.

1974, 24 de Março: Preparação do golpe da Revolução de Abril. Reunião da Comissão Coordenadora do MFA. Decide refazer o plano de operações militares, de que é encarregado o major Otelo Saraiva de Carvalho. O golpe é marcado para a semana de 20 a 27 do mês de Abril.

Dedicamos este levantamento ao povo português, àqueles que vieram antes de nós e que com a sua valentia, perseverança, habilidade, inteligência, capacidade de sacrifício, força e resistência, ousadia e sentido de justiça souberam sonhar, lutar e construir uma sociedade deveras melhor, livre das amarras de uma ditadura infame, atroz e desumana. A todos os que aqui foram retratados e a todos que não conseguimos referir, o nosso mais sincero obrigado. Aprendemos muito. A vossa coragem é nossa inspiração, força e companhia para seguir lutando por um mundo sempre melhor.

Fontes:

FERREIRA, Ana Sofia. “LUTA ARMADA EM PORTUGAL (1970-1974)”, Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2015.

CABREIRA, Pamela Peres. “Contra o Estado Novo: manifestações e organizações em Portugal no período marcelista (1968-1974)”, in Revista Discente Ofícios de Clio, Pelotas, vol. 2, n°03 , Agosto – Dezembro de 2017 

PEREIRA, Joana. “SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO – A HISTÓRIA DE UMA IDÉA” , Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2008

VARELA, Raquel. “OS OPERÁRIOS DA LISNAVE – DO CONFLITO À NEGOCIAÇÃO (1967- 1987)”, in Cadernos AEL, Trabalho e Política: edição comemorativa, v. 17, n.29, 2010.

WOOLLACOTT, John. “A luta pela libertação nacional na Guiné-Bissau e a revolução em Portugal” in Social, vol. xix (77-78-79), Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 1983.

https://cdi.upp.pt (Centro de Documentação do Movimento operário e popular do Porto)

https://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1934  (Centro de Documentação do 25 de Abril – Universidade de Coimbra)

https://www.museudoaljube.pt/

https://www.revistamilitar.pt/artigo/906

https://ephemerajpp.com

https://journals.openedition.org/lerhistoria/

http://www.omilitante.pcp.pt/pt/304/Historia/382/O-31-de-Janeiro-no-Porto—Bandeira-de-luta-antifascista.htm

https://diariodoalentejo.pt/pt/noticias/8875/a-conquista-das-oito-horas-nos-campos-do-sul.aspx

http://www.a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-pre-revolucao-01-01-1973-a-24-04-1974

https://www.facebook.com/HistClasseTrabalhadora

https://www.cidac.pt/files/7414/5338/7888/Da_Guerra_Colonial__Capela_do_Rato_Nuno_Teotnio_Pereira.pdf http://www.ahsocial.ics.ulisboa.pt/atom/movimento-de-accao-revolucionaria-mar 

https://www.esquerda.net/artigo/em-caxias-barricamo-nos-na-cela-e-iniciamos-uma-greve-de-fome/68084

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/ https://observador.pt/2016/03/24/crise-1969-as-imagens-luta-capas-negras-estudantes/

https://www.youtube.com

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